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    PROVEDOR DO HOSPITAL AROLDO TOURINHO FAZ DISCURSO PANEGÍRICO AO PREFEITO HUMBERTO SOUTO

    PROVEDOR DO HOSPITAL AROLDO TOURINHO FAZ DISCURSO PANEGÍRICO AO PREFEITO HUMBERTO SOUTO

    Nessa segunda-feira (23/9), na solenidade de entrega do título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) ao atual prefeito de Montes Claros, Humberto Souto, o discurso panegírico (nome acadêmico dado ao discurso de saudação ao homenageado) foi feito pelo provedor do HAT e ex-reitor da Unimontes, professor Paulo César Gonçalves de Almeida.

    A solenidade, presidida pelo atual reitor da Unimontes, professor Antônio Alvimar Souza, contou com a presença de autoridades políticas, civis e militares. Humberto Souto também foi provedor do Hospital Aroldo Tourinho ao longo de sua trajetória de homem público.

    O professor Paulo César, em seu discurso, falou da trajetória política de Humberto Souto como vereador, deputado estadual, deputado federal e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), seus serviços em prol da cidade de Montes Claros e do Norte de Minas e, sobretudo, da Unimontes.

    Humberto Souto, em discurso emocionante, relembrou sua carreira: “Paulo César contou minha história política, e eu vou contar minha história de vida”. Ele também, por sua vez, enalteceu o trabalho realizado pelo provedor à frente do Hospital Aroldo Tourinho e relembrou emendas parlamentares importantes conquistadas por ele como deputado a pedido do professor Paulo César Almeida em favor do HAT.

    Segue, na integra o discurso panegírico do provedor em homenagem ao prefeito Humberto Souto:

     

    PRONUNCIAMENTO DO PROFESSOR PAULO CÉSAR GONÇALVES DE ALMEIDA (REITOR UNIMONTES 2002/2010) – DISCURSO PANEGÍRICO – SOLENIDADE DE OUTORGA DO TÍTULO DE DOUTOR HONORIS CAUSA AO PREFEITO DE MONTES CLAROS, HUMBERTO SOUTO – 23/09/2019.

     

    Professores e Professoras.

    Servidores e Servidoras Técnico-Administrativas.

    Acadêmicos e Acadêmicas.

    Amigos e Companheiros da Imprensa.

    Autoridades e Convidados.

    Amigos e Amigas.

    Tem sido tradição na nossa Unimontes que o discurso panegírico por ocasião da outorga do título de Doutor Honoris Causa seja feito pelo Vice-Reitor ou Vice-Reitora. Em face de compromisso assumido com muita antecedência, a nossa Caríssima Vice-Reitora, Professora Ilva Ruas de Abreu, não pôde aqui comparecer. Por deferência do Magnífico Reitor, a quem agradeço imensamente, coube a mim esta honra, e me sinto absolutamente à vontade, pois fui testemunha de grande parte das ações desenvolvidas pelo homenageado em favor da instituição.

    Com a serenidade indispensável ao momento e a segurança que a manifestação requer, afirmo com toda veemência – em respeito à história e à justiça – que Humberto Souto fez por merecer este título de Doutor Honoris Causa da trintenária Universidade Estadual de Montes Claros.

    O elenco de ações em favor da Universidade, por si só, é mais do que suficiente para justificar a outorga do título.  Humberto foi muito além do exercício do mandato parlamentar. Não apenas desfraldou a bandeira da defesa do ensino superior regional, desde a época da Fundação Norte Mineira de Ensino Superior, mas foi intransigente no encaminhamento dos pleitos e na ação perseverante para torná-los realidade.

    Sem medo de errar, na história desta Universidade – e aí podemos incluir a FUNM – foi o parlamentar que mais recursos conseguiu carrear para a instituição, recursos expressivos que deram vida a muitos projetos e, para citar apenas um exemplo, apontamos o prédio 2 do Campus Universitário – que hoje abriga o Centro de Ciências Humanas, cuja construção, toda construção vale destacar, só foi viabilizada em virtude de recursos obtidos através da ação parlamentar do nosso homenageado.

    Dois outros fatos não menos marcantes da atuação de Humberto Souto devem ser obrigatoriamente assinalados.

    O primeiro: atuou com determinação incomum na condição de interlocutor para o reconhecimento federal como universidade, processo iniciado no Conselho Federal de Educação, e concluído no Conselho Estadual de Educação, antecedendo a portaria assinada pelo então Ministro da Educação, Murilio Hingel, por delegação do saudoso Presidente Itamar Franco, também Doutor Honoris Causa da Unimontes.

    Outro fato diz respeito à própria sobrevivência da Unimontes enquanto ente público, condição atribuída pela Constituição Mineira de 1989, cujos 30 anos neste setembro primaveril comemoramos.

    Ação Direta de Inconstitucionalidade, proposta junto ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria Geral da República ameaçava essa condição, e se tivesse sido acolhida, retornaríamos ao status quo de fundação de direito privado.

    Consciente do desastre que isso representaria não só para a Universidade como para os mineiros e principalmente os norte-mineiros, Humberto Souto visitou um a um dos ministros do STF buscando convencê-los a não acolher a propositura.  Missão hercúlea, mas, ao final, exitosa.

    A Unimontes conseguiu resistir a essa intempérie das mais graves da sua nascente história de ente público.

    Isso foi possível, sem a menor dúvida, porque tivemos, uma vez mais, aliado poderoso como o nosso homenageado, que desfrutava – como ainda desfruta – de enorme prestígio e respeito graças à sua conduta séria e honrada.

    O tempo presente não existiria se não houvesse passado. História para se contar, servir de exemplo e alicerce ao futuro.

    Hoje, nesta solenidade em que honramos quem tem honra, também exaltamos o passado histórico de um exemplar e grande construtor do presente e alicerce do futuro.

    Humberto Souto ultrapassa o tempo do seu nascimento, mas busca naquele passado octogenário a semente que fez e faz brotar toda uma história de várias páginas construtoras do tempo que hoje se abre em velocidade multifacetada em tecnologia, comunicação, às vezes bordada pelo utilitarismo dos humanos, outras vezes cheia de contornos efêmeros, mas sempre necessitando do abraço amoroso de quem entende as necessidades da sociedade.

    Humberto se esmerou em entender as necessidades humanas para a solução em formato de praticidade, firme e forte como aroeira de beira de rio, mas com sombra suficiente para abrigar na hora da canícula cruel.

    Um dos textos mais antigos de que se tem notícia, de seis mil antes de Cristo, revela Zaratrusta, em um de seus Gãnthãs: “Então que o Mal deixe de florescer, Enquanto aqueles que adquiriram boa fama/ Colham a recompensa prometida/ Na habitação santificada da Boa Mente, do Sábio, e da Retidão”.

    Humberto Souto nasceu de família de trabalhadores, mãe professora e preceptora. Pai de força. Na infância, como era comum a todos da época, as tarefas domésticas ou a faina fora do lar não aceitavam omissão.

    Como ferro a ser moldado na fornalha e na bigorna, como pedra a ser talhada ao mando do cinzel, nada de fuga da responsabilidade. Eis a olaria de onde saíram manualmente os homens e mulheres que fizeram essa Terra.

    Certa feita o Querido Amigo Jornalista e Educador Benedito Said escreveu que Humberto Souto tem nas veias o sangue dos construtores de Catedrais, como Chiquinho Guimarães.

    Não catedral da opulência, mas átrios desafiadores que saem do chão mesmo quando não temos a formação acadêmica para tal. É uma proficiência latente, muito mais esmerada no letramento, vendo o outro fazer bem feito, do que na alfabetização.

    A Catedral de Nossa Senhora Aparecida está ali incrustada na Praça Pio XII para comprar essa verdade sacrossanta.

    Humberto foi contabilista a vereador. Foi se esgueirando pelos labirintos do entendimento e compreensão para galgar espaços siderais.

    Deputado estadual e federal, ministro e presidente do Tribunal de Contas da União, prefeito de Montes Claros. Em cada uma dessas passagens, ele usou a vida para dar contribuição ao melhor para a sociedade.

    Foi Humberto Souto que propôs a anistia universal aos homens do campo num tempo de seca, aridez, pesadelos e sem esperança. Foi vitorioso no seu intento, mas soube dialogar em favor dos que precisavam de uma voz no deserto naquele instante.

    Ter voz e também ter palavras, mas serão ouvidos apenas aqueles que têm força e honra para serem escutados.

    Humberto também propôs a federalização da Unimontes, numa época de transformações. Foi a mão do atual prefeito de Montes Claros que, no final da década de 1970, no governo do lendário prefeito Antônio Lafetá Rebelo, que a cidade foi incluída no Programa Cidades de Porte Médio, iniciando uma revolução de infraestrutura para tirar o município do atraso físico.

    Num dos períodos de seca violenta na região, ainda entre os anos 1970 e 1980, quando havia fome, e esqualidez coletiva, Humberto, usando de prestígio junto ao governo federal, trouxe à cidade ministros. Prefeitos se reuniram no Automóvel Clube e exigiam solução.

    Não havia projeto para se colocar em prática. Alguém lembrou que havia um megaprojeto de irrigação para o Vale do Gorutuba dormindo na Codevasf.  O superintendente regional à época, Ciríaco Serpa de Menezes, também agraciado pela Unimontes com o título de Doutor Honoris Causa, trouxe o projeto redentor. Humberto se reuniu em separado com os prefeitos e perguntou se era aquilo mesmo que eles desejavam.

    A aprovação foi unânime. Houve reunião a portas fechadas com o ministro visitante e bateu-se o martelo. Meses depois a obra foi iniciada, dando abertura para outras barragens para a região.

    Isso não se perde na memória de quem dá valor aos homens que fazem valer a confiança neles depositada.

    São muitos e diversos relatos sobre quem honra e é honrado. Aqui há poucos. Mas ficam como um sino que insiste na Torre da Igreja.

    Yvonne Silveira, Professora Emérita desta Universidade, uma das construtoras do ensino superior destes Montes Claros, tem um poema monumental com o título “O Sino da Matriz”.

    Ao final ela prediz: “Tu, porém, sino da velha Matriz/ tens para nós a mesma voz/ de músicas distantes,/ a mesma verdade de fé,/ o mesmo comando/ dos nossos destinos. Mudo, embora, te ouviremos sempre,/ na velha Matriz de Nossa Senhora”.

    Como o sino que se perpetua na memória das nossas vidas, Humberto Souto, no alto da torre da honra, tem história e fez história honrada.

    Por toda a sua trajetória na vida pública, marcada pela conduta honesta e ética, de maneira incontestável, é um dos maiores benfeitores da Universidade Estadual de Montes Claros.

    A todos e a todas, muitíssimo obrigado pela atenção.

    Que Deus continue nos abençoando.

    Boa noite!

     

    Professor Paulo César Gonçalves de Almeida

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